JOSÉ GUILHERME JORGE DA COSTA, é este o seu nome. Presumo que todos os que, como eu, trabalharam nas "Construções Técnicas", se recordarão dele. Uns, mais que outros lembrar-se-ão dos primórdios do homem que, passadas algumas décadas, entrou na liça da Imprensa e da Justiça. Quando o vi, trajando fato-macaco, todo borrado de óleo, a conduzir uma camioneta, transportando terras, nunca pensei que dali pudesse advir o multimilionário que até se deu ao luxo de doar (?) 14 M€ ao "dono disto tudo", vulgo Ricardo Salgado. Os tempos foram mudando, as obras também, e quando o voltei a ver - na Obra da Doca Seca da Lisnave, em 1969 - nem queria acreditar naquilo que os meus olhos viam. É verdade! Estava eu no escritório, muito compenetrado na feitura do Planeamento PERT, na companhia do engº Machado Soares, quando um inusitado chiar de travões nos "obrigou" a assomar à porta. Saí e dei de caras com um "bólide" verde-garrafa, da conceituada marca "PORCHE", modelo "Carrera", que nos deixou inebriados. É que, à época, nem eu nem o engº Machado Soares tínhamos carro. Eu limitava-me a conduzir uma "Vespa 150" e, e... Nem sequer um Fiat 600 ou um "Carocha", quanto mais um "Porche Carrera"... Mas, mais boquiabertos ficámos quando do seu interior saiu o amigo Zé Guilherme, que se apressou a cumprimentar-nos. Ainda mal refeito do "choque" visual, aproximei-me da luzidia viatura e comentei: - "Eh, pá! Um "Porche Carrera"? Bolas!..." Como resposta, ouvi: - "É verdade, amigo Zé Luís! E já está pago!" Na altura pensei que, mesmo que não estivesse pago, também não seria eu a pessoa mais indicada a quem o Zé Guilherme recorreria para ajudar no pagamento daquela bela máquina. Depois, durante alguns anos, fui acompanhando muitas outras "estórias" de vida do Zé´Guilherme, ao ponto de ele me querer "levar" das "C. Técnicas" para a recém-criada "Tecnovia". Lembro-me de muitas peripécias, mas aquela cena que me deixou um bocado abalado, foi num almoço que o Zé ofereceu aos Quadros das C.T. no Algarve-Sol, em Quarteira. Estávamos, então, na construção da Marina de Vilamoura, onde a "Tecnovia" era nossa subempreiteira, no transporte de enrocamento das pedreiras para a obra. No início do repasto, aquando dos preparativos para aguçar o apetite à malta, - éramos 12 +1, como os Apóstolos e Cristo - o Zé Guilherme levantou-se, chamou um dos empregados de mesa e, do alto do seu metro e oitenta e tal, gritou ainda mais alto: - "Ó chefe, o que é isto?!... Que Wisky é este? Eu só bebo Wisky velho!" Agora, digo eu: - "O novo riquismo é lixado!" Não sei se ele, à data, já era amigo do Ricardo Salgado, mas, de qualque modo, para ter amigos a quem se dê 14 M€, mais lhe valia continuar connosco e pagar, apenas, uns almocitos de vez em quando, para não dar a impressão de "que somos pobres e mal agradecidos". No entanto, nesta fase menos boa, desejo que as coisas corram como o Zé Guilherme bem desejar.
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terça-feira, 24 de março de 2015
terça-feira, 3 de março de 2015
O "cromo" MARTELEIRA (2)
O estagiário engº Marteleira, "cromo" como era, não nos podia abandonar sem deixar ainda mais vincada a sua passagem pela VI Linha Fabril da Cimpor, em Alhandra. O principal autor (e ator) das mais variadas sagas, ainda tinha muito para dar, como se pode comprovar na crónica que se segue. Este episódio, que também tem algo de excêntrico, só podia mesmo ser protagonizado pelo nosso engº Marteleira.
O
principal ator de outras sagas, não nos quis deixar sem participar nesta - mais uma - a juntar ao seu vasto currículo.
Precisando que mudassem o óleo do seu NSU, meteu uma cunha, no sentido de que a operação fosse efetuada na oficina mecânica da obra. Ora, como ele era da empresa e, além do mais, era um tipo porreiraço, que até fazia questão de afirmar que não gostava dos comunistas, foi-lhe dada essa abébia, e a mudança de óleo foi mesmo efetuada na oficina. Porque estávamos na tarde de sexta-feira e aproximava-se o fim-de-semana de Carnaval, pediu para que o não deixassem enrascado, já que tinha assumido compromissos na terra, aos quais não podia faltar. E assim foi: o mecânico Nogueira assumiu o comando da operação e, passados que foram uns vinte minutos, ficou o engº Marteleira a saber que podia, a qualquer momento, sacar a sua bela máquina e, nela, seguir caminho até, pensava ele, à vila da Lourinhã. Agradeceu os préstimos do staff da mecânica, sorridente, esfregou as mãos de contentamento, despediu-se com abraços, e seguiu, fábrica adentro, procurando os trilhos que o haviam de conduzir à sua adorada Lourinhã.
Precisando que mudassem o óleo do seu NSU, meteu uma cunha, no sentido de que a operação fosse efetuada na oficina mecânica da obra. Ora, como ele era da empresa e, além do mais, era um tipo porreiraço, que até fazia questão de afirmar que não gostava dos comunistas, foi-lhe dada essa abébia, e a mudança de óleo foi mesmo efetuada na oficina. Porque estávamos na tarde de sexta-feira e aproximava-se o fim-de-semana de Carnaval, pediu para que o não deixassem enrascado, já que tinha assumido compromissos na terra, aos quais não podia faltar. E assim foi: o mecânico Nogueira assumiu o comando da operação e, passados que foram uns vinte minutos, ficou o engº Marteleira a saber que podia, a qualquer momento, sacar a sua bela máquina e, nela, seguir caminho até, pensava ele, à vila da Lourinhã. Agradeceu os préstimos do staff da mecânica, sorridente, esfregou as mãos de contentamento, despediu-se com abraços, e seguiu, fábrica adentro, procurando os trilhos que o haviam de conduzir à sua adorada Lourinhã.
Porém, mal saiu da localidade
de Alhandra, e por ter dado mais um pouco de gás à viatura, notou um barulho
esquisito, que lhe pareceu ser proveniente da roda dianteira, do lado direito. De
tanto escutar, distraiu-se e deixou que aquele rodado saísse do asfalto e
tivesse afundado no mole terreno da berma. Como viu o afundanço pender para
aquele ponto, foi levado a pensar que lhe tinha saltado fora a roda daquele
lado; do lado de onde provinham os tais barulhos. Assustado q.b., saiu do carro num salto, e correu cerca de cem metros para trás,
tentando, por aí, achar a roda que, para ele, tinha ficado pela estrada ou caído na valeta. Naquele
momento de frenética pesquisa, aproximou-se uma motoreta, a cujo condutor o Marteleira fez sinal para
parar. À pergunta, "se tinha visto por aí uma roda", o outro respondeu com um não. Mas o motociclista, colaborando, não prosseguiu na sua viagem. Antes acompanhou o Marteleira na pesquisa da misteriosa roda que, para o seu dono, por artes do Demo, se tinha esfumado. Valeta abaixo, valeta acima, um do lado esquerdo e o outro do lado direito, passaram tudo a pente fino, mas debalde. O diabo da roda não aparecia nem por nada. Já descoroçoados, aproximaram-se ambos do NSU do engenheiro, deram a volta ao carro e descobriram
que a tal roda que procuravam, estava sossegada e inerte no seu devido lugar. Estava atafulhada de lama, mas estava lá.
Já mais calmo, pegou
na viatura, fê-la girar 180º, e voltou à oficina da obra, onde relatou o percalço ao mecânico
Nogueira. Este, que meia hora antes, tinha colocado umas pedrinhas, tipo
gravilha, no interior do tampão, deixou-o sair para dar tempo de proceder à
retirada das pedras. Depois, chamou-o para lhe fazer a entrega do NSU, agora em
perfeitas condições, sem barulhos.
Para que conste, o engenheiro foi o primeiro a
contar a saga da roda que se julgava perdida, algures, numa valeta da berma da
estrada da Arruda, e o mecânico Nogueira ficou a saber, que aquela partida de Carnaval
poderia levar algum erudito a transportar o cómico episódio para o cinema.
Estivéssemos nós em Hollywood…
Por coincidência, o motociclista que ajudou na investigação do "mistério da roda sumida", era carpinteiro na mesma Obra onde estagiava o engº Marteleira. Ele
não conhecia o estagiário, mas, dois dias depois, quando o viu no estaleiro,
meteu conversa com ele e ficou a saber que o distraído condutor do NSU era engenheiro e
lourinhanense. Quando, nos meios rurais, se dizia que: “Ó pá, tu pensas que eu sou da Lourinhã?” estariam a relacionar a frase com o nosso amigo Marteleira? Eu digo que não, porque
o Marteleira não era assim tão velho. Ele era um estagiário de uns vinte e
poucos anos, mas que era um grande "cromo", lá isso era.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
LUSÍADAS - Séc. XXI
Deliciem-se com o poema deste novo Camões, do "Luís vais sem tostões!"...
de que eu não sou autor...
de que eu não sou autor...
"Canalhíadas"
I
|
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
CASTANHA-DO-BRASIL
Saúde no novo milênio. Não devemos esquecer a saúde pessoal. Afinal, é preciso evitar erros antigos para viver bem, não importa quanto tempo isso seja possível. Cada vez mais especialistas relacionam a qualidade da saúde à prevenção. E esse princípio está presente em cada linha desse blog.
10.1.09
CASTANHA-DO-BRASIL (CASTANHA-DO-PARÁ)
Só uma castanha por dia... não mais do que isso, garante as doses de selênio de que seu corpo precisa para preservar cada célula, por para fora possíveis substâncias tóxicas e viver mais.
Cabe na palma da sua mão, e ainda sobra um espaço e tanto, a arma que vai superproteger as unidades microscópicas do seu organismo. Em segundos, ao mastigar uma única castanha-do- pará, você recarregará os níveis de um mineral extremamente importante para uma vida longa e saudável: o selênio. A pequena oleaginosa repõe a quantidade do nutriente necessária para dar combate ao envelhecimento celular, causado pela formação natural daquelas incansáveis moléculas que danificam as células, os radicais livres.
Um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, atesta que a ingestão diária de duas castanhas-do-pará recentemente rebatizadas castanhas do brasil, eleva em 65% o teor de selênio no sangue, mas provavelmente os neozelandeses não usaram o legítimo produto brasileiro. Ora, nós somos sortudos. É que as castanhas produzidas no Norte e no Nordeste do país são tão ricas em selênio que bastaria uma unidade para tirar o mesmo proveito. A recomendação é de que um adulto consuma, no mínimo, 55 microgramas por dia, diz a nutricionista Bárbara Rita Cardoso, pesquisadora do Laboratório de Minerais da Universidade de São Paulo. E com uma unidade da nossa castanha já é possível encontrar bem mais do que isso de 200 a 400 microgramas do bendito selênio. Aliás, o limite de consumo diário do mineral é de 400 microgramas, portanto, não vá com muita fome ao pote. No caso de uma criança, meia castanha seria suficiente, afirma Silvia Cozzolino, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.
E por que toda essa fama do selênio? Ele é essencial para acionar enzimas que combatem os radicais livres, responde Christine Thomson, a pesquisadora neozelandesa que investigou as propriedades da castanha. O selênio se liga a algumas proteínas já existentes em nosso corpo para formar essas enzimas antioxidantes, descreve, completando, Bárbara Cardoso. Na ausência dele, as tais enzimas ficam sem atividade e, então, deixam de combater os radicais e ainda desguarnecem as defesas do organismo.
O mineral da castanha também teria um papel especial na proteção do cérebro. É que, com essa capacidade de acabar com a farra dos radicais livres, as células nervosas seriam preservadas, evitando o surgimento de doenças neurodegenerativas com a idade. Justamente por isso, a pesquisadora Bárbara Rita Cardoso começa a estudar os possíveis benefícios do selênio em portadores do mal de Alzheimer. "Desconfiamos que nesses pacientes os radicais façam maiores estragos", diz ela.
A tireóide também funciona melhor na presença do selênio, acrescenta Christine Thomson. Isso porque, se não houver esse elemento, ela não consegue produzir direito seus célebres hormônios. O mineral também está intimamente associado à capacidade de o organismo se livrar de substâncias tóxicas, ajudando-o inclusive a expulsar possíveis metais pesados que se alojam nas células.
Apesar de tudo isso, o badalado selênio deve ser apreciado com moderação. Quando os especialistas recomendam uma castanha diária, é para segui-lo à risca. Acredite: o conselho não é nem um pouco mesquinho. Esse consumo ideal e comedido é que faz todas essas enzimas que dependem do nutriente trabalharem de forma adequada, diz Bárbara. Em excesso, o selênio não vai potencializar sua ação. E o pior: mais cedo ou mais tarde, o exagero rotineiro vai revelar o lado negro da substância. Sim, ele existe: a toxicidade. Ela acontece se a pessoa ingerir mais de 800 microgramas por dia, adverte Silvia Cozzolino. É que o selênio tem efeito cumulativo, emenda Christine Thomson.
Isso não significa que abusar das deliciosas castanhas em uma happy hour com amigos traga grandes ameaças. De vez em quando, dá até para superar a quantidade recomendada. O perigo é comer essas oleaginosas além da conta todo dia. Quem experimentar ataques sucessivos de gula poderá sentir dor de cabeça, ficar com as unhas fracas e ver seus cabelos caírem. "Mas quem come mais de 6 castanhas hoje não vai se empanturrar delas amanhã", usa a lógica a expert em nutrição Silvia Cozzolino. No máximo, o preço desse pecado será um mau hálito parecido com o bafo de alho, acredite!
Não corre o mesmo risco quem comer, vez ou outra, algum prato que leve a castanha na receita até porque, seja doce ou salgado, dificilmente uma porção reunirá tantas unidades. E saiba: nem o fogão nem a geladeira conseguem detonar as reservas de selênio. No dia-a-dia, nada melhor do que a praticidade de botar na mochila, no bolso ou na bolsa a sua estrela solitária. É saúde na medida certa!
Para chegar à quantidade de selênio de uma castanha-do- pará (de 5 gramas ), você teria que consumir, em média, o equivalente a...
Cabe na palma da sua mão, e ainda sobra um espaço e tanto, a arma que vai superproteger as unidades microscópicas do seu organismo. Em segundos, ao mastigar uma única castanha-do- pará, você recarregará os níveis de um mineral extremamente importante para uma vida longa e saudável: o selênio. A pequena oleaginosa repõe a quantidade do nutriente necessária para dar combate ao envelhecimento celular, causado pela formação natural daquelas incansáveis moléculas que danificam as células, os radicais livres.
Um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, atesta que a ingestão diária de duas castanhas-do-pará recentemente rebatizadas castanhas do brasil, eleva em 65% o teor de selênio no sangue, mas provavelmente os neozelandeses não usaram o legítimo produto brasileiro. Ora, nós somos sortudos. É que as castanhas produzidas no Norte e no Nordeste do país são tão ricas em selênio que bastaria uma unidade para tirar o mesmo proveito. A recomendação é de que um adulto consuma, no mínimo, 55 microgramas por dia, diz a nutricionista Bárbara Rita Cardoso, pesquisadora do Laboratório de Minerais da Universidade de São Paulo. E com uma unidade da nossa castanha já é possível encontrar bem mais do que isso de 200 a 400 microgramas do bendito selênio. Aliás, o limite de consumo diário do mineral é de 400 microgramas, portanto, não vá com muita fome ao pote. No caso de uma criança, meia castanha seria suficiente, afirma Silvia Cozzolino, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.
E por que toda essa fama do selênio? Ele é essencial para acionar enzimas que combatem os radicais livres, responde Christine Thomson, a pesquisadora neozelandesa que investigou as propriedades da castanha. O selênio se liga a algumas proteínas já existentes em nosso corpo para formar essas enzimas antioxidantes, descreve, completando, Bárbara Cardoso. Na ausência dele, as tais enzimas ficam sem atividade e, então, deixam de combater os radicais e ainda desguarnecem as defesas do organismo.
O mineral da castanha também teria um papel especial na proteção do cérebro. É que, com essa capacidade de acabar com a farra dos radicais livres, as células nervosas seriam preservadas, evitando o surgimento de doenças neurodegenerativas com a idade. Justamente por isso, a pesquisadora Bárbara Rita Cardoso começa a estudar os possíveis benefícios do selênio em portadores do mal de Alzheimer. "Desconfiamos que nesses pacientes os radicais façam maiores estragos", diz ela.
A tireóide também funciona melhor na presença do selênio, acrescenta Christine Thomson. Isso porque, se não houver esse elemento, ela não consegue produzir direito seus célebres hormônios. O mineral também está intimamente associado à capacidade de o organismo se livrar de substâncias tóxicas, ajudando-o inclusive a expulsar possíveis metais pesados que se alojam nas células.
Apesar de tudo isso, o badalado selênio deve ser apreciado com moderação. Quando os especialistas recomendam uma castanha diária, é para segui-lo à risca. Acredite: o conselho não é nem um pouco mesquinho. Esse consumo ideal e comedido é que faz todas essas enzimas que dependem do nutriente trabalharem de forma adequada, diz Bárbara. Em excesso, o selênio não vai potencializar sua ação. E o pior: mais cedo ou mais tarde, o exagero rotineiro vai revelar o lado negro da substância. Sim, ele existe: a toxicidade. Ela acontece se a pessoa ingerir mais de 800 microgramas por dia, adverte Silvia Cozzolino. É que o selênio tem efeito cumulativo, emenda Christine Thomson.
Isso não significa que abusar das deliciosas castanhas em uma happy hour com amigos traga grandes ameaças. De vez em quando, dá até para superar a quantidade recomendada. O perigo é comer essas oleaginosas além da conta todo dia. Quem experimentar ataques sucessivos de gula poderá sentir dor de cabeça, ficar com as unhas fracas e ver seus cabelos caírem. "Mas quem come mais de 6 castanhas hoje não vai se empanturrar delas amanhã", usa a lógica a expert em nutrição Silvia Cozzolino. No máximo, o preço desse pecado será um mau hálito parecido com o bafo de alho, acredite!
Não corre o mesmo risco quem comer, vez ou outra, algum prato que leve a castanha na receita até porque, seja doce ou salgado, dificilmente uma porção reunirá tantas unidades. E saiba: nem o fogão nem a geladeira conseguem detonar as reservas de selênio. No dia-a-dia, nada melhor do que a praticidade de botar na mochila, no bolso ou na bolsa a sua estrela solitária. É saúde na medida certa!
Para chegar à quantidade de selênio de uma castanha-do- pará (de 5 gramas ), você teria que consumir, em média, o equivalente a...
- 16 pães franceses ( 50 gramas cada um)
- 100 copos de leite (200 mililitros por copo)
COMIDA ANTITÓXICA
Uma das principais benesses do selênio é a sua capacidade de desintoxicar o organismo. O mineral atua em mecanismos que favorecem a eliminação de metais pesados pelas fezes e pela urina, explica a nutricionista Bárbara Rita Cardoso. Esses metais nocivos, como o mercúrio e o arsênico, ficam impregnados no organismo quando, por exemplo, consumimos peixes de má procedência, que vieram de águas poluídas. E, daí, disparam inúmeros problemas em nossos tecidos, do envelhecimento ao câncer, algo que é freado com o sistema de limpeza acionado pelo consumo da castanha.
SUPLEMENTAÇÃO, A POLÊMICA
A natureza oferece fontes de selênio, mas há quem prefira recorrer às cápsulas. Estudos recentes revelam que isso pode ser bobagem: o melhor seria buscar o mineral na comida mesmo. O selênio dos alimentos é mais bem absorvido pelo organismo, justifica o pesquisador Alexei Lobanov, do Departamento de Bioquímica da Universidade Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos. E, já que a quantidade de que precisamos nem é lá tão alta, a suplementação deveria ficar restrita a casos especiais.
TERRA BOA, FRUTO RICO
A concentração de selênio em um alimento depende do solo em que é cultivado. De acordo com o engenheiro agrônomo José Urano de Carvalho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a castanheira, nativa da floresta Amazônica brasileira, além de ter uma incrível habilidade para extrair o mineral, comparada a outras espécies, encontra na terra de lá uma enorme quantidade de selênio. Por isso seus frutos são campeões no elemento. As castanhas-do- pará são cultivadas prá valer na região Norte, especialmente no cinturão amazônico, mas o Brasil já não lidera o ranking de produção da oleaginosa. "Hoje é a Bolívia que ocupa o primeiro lugar", revela Urano.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
31 de DEZEMBRO de 1980 - Uma MÁ DATA.
Na CIMPOR - Souselas
Pois faz hoje 35 anos, que este vosso amigo ia indo deste para o outro Mundo.
Nesse dia 31 de Dezembro de 1980, uma Quarta-Feira, o Rogério Feio, o Cosme, o José Brincano, o A. Cartaxo, o Pedroso e eu próprio fomos, nesse dia, almoçar a Coimbra, ali para os lados da Baixa.
Após o repasto, e como era o dia de fim de ano, houve quem se lembrasse de levar uma "prenda" para a família. Qualquer que fosse, seria decerto bem recebida em casa de cada um. Por isso, fomos ao Joaquim dos Leitões, ali por detrás da Av. Fernão de Magalhães, onde cada qual se apetrechou com uns nacos de bácoro, de pele crocante, que até fazia salivar.
Pouco depois do nosso regresso à Cimpor, fomos informados pelo diretor da Obra, engº Capinha, e pelo diretor de Produção, Rogério Feio, de que, devido à data, a hora para sair seria às 14h30.
Agora, havia que materializar esse esquema com a fiscalização da Cimpor, para isso, desloquei-me aos seus escritórios. Acompanhado do engº fiscal Abel Machado e do fiscal Rolando Rodrigues, ambos da Cimpor, encetámos um périplo pelas diversas zonas do empreendimento, a fim de avisar todas as chefias, tanto das Construções Técnicas, como as da própria Cimpor, que operavam em zonas contíguas às nossas. Mas a ronda foi curta. Não teriam passado mais de 5 minutos, quando, ao sair do Edifício de Dosagem, apanhei com uma viga de madeira, de 16x8, que já vinha em queda uniformemente acelerada, primeiro no capacete e, depois, na cabeça. Esta peça ter-se-ia desprendido de uma lingada de uma grua-torre, desde uma altura de 60 m, tendo sido eu o "premiado" de fim de ano.
Nunca dei por nada, não senti nada. Sei, pelo que me contaram uns dias depois, que todo eu era um charco de sangue, jorrado da extensa fissura aberta no crânio.
Não me lembro de ter entrado nem de ter saído dos Hospitais da Universidade de Coimbra, porque, ainda inconsciente, trataram de me pôr ao fresco, possivelmente para dar lugar a outro.
Por solidariedade, ficaram em Coimbra, o Rogério Feio e o engº Capinha. O Rogério, até pediu à sua esposa que viajasse para a Lusa-Atenas e, assim, já não passou o fim de ano só.
Também a Luísa, depois de deixar os meus dois filhos em Vale da Pinta, viajou, de comboio, para Coimbra.
Depois, foram 2 meses de uma semi-recuperação. Isto porque, a pedido do engº Capinha, pedi alta no Hospital de "A Mundial", em Lisboa e segui para Souselas. Nas poucas vezes que ia à obra, em cada passo que dava, só sentia uma espécie de facadas na coluna. É que, além do crânio, também sofri lesões na coluna e nalgumas vértebras. Ao cabo de 6 meses, já estava 100% operacional e capaz de outra.
Por agora, acabaram-se os lamentos. P'ró ano, para quem cá estiver, há mais.
Uma Boa Passagem e um Bom 2016.
Pois faz hoje 35 anos, que este vosso amigo ia indo deste para o outro Mundo.
Nesse dia 31 de Dezembro de 1980, uma Quarta-Feira, o Rogério Feio, o Cosme, o José Brincano, o A. Cartaxo, o Pedroso e eu próprio fomos, nesse dia, almoçar a Coimbra, ali para os lados da Baixa.
Após o repasto, e como era o dia de fim de ano, houve quem se lembrasse de levar uma "prenda" para a família. Qualquer que fosse, seria decerto bem recebida em casa de cada um. Por isso, fomos ao Joaquim dos Leitões, ali por detrás da Av. Fernão de Magalhães, onde cada qual se apetrechou com uns nacos de bácoro, de pele crocante, que até fazia salivar.
Pouco depois do nosso regresso à Cimpor, fomos informados pelo diretor da Obra, engº Capinha, e pelo diretor de Produção, Rogério Feio, de que, devido à data, a hora para sair seria às 14h30.
Agora, havia que materializar esse esquema com a fiscalização da Cimpor, para isso, desloquei-me aos seus escritórios. Acompanhado do engº fiscal Abel Machado e do fiscal Rolando Rodrigues, ambos da Cimpor, encetámos um périplo pelas diversas zonas do empreendimento, a fim de avisar todas as chefias, tanto das Construções Técnicas, como as da própria Cimpor, que operavam em zonas contíguas às nossas. Mas a ronda foi curta. Não teriam passado mais de 5 minutos, quando, ao sair do Edifício de Dosagem, apanhei com uma viga de madeira, de 16x8, que já vinha em queda uniformemente acelerada, primeiro no capacete e, depois, na cabeça. Esta peça ter-se-ia desprendido de uma lingada de uma grua-torre, desde uma altura de 60 m, tendo sido eu o "premiado" de fim de ano.
Nunca dei por nada, não senti nada. Sei, pelo que me contaram uns dias depois, que todo eu era um charco de sangue, jorrado da extensa fissura aberta no crânio.
Não me lembro de ter entrado nem de ter saído dos Hospitais da Universidade de Coimbra, porque, ainda inconsciente, trataram de me pôr ao fresco, possivelmente para dar lugar a outro.
Por solidariedade, ficaram em Coimbra, o Rogério Feio e o engº Capinha. O Rogério, até pediu à sua esposa que viajasse para a Lusa-Atenas e, assim, já não passou o fim de ano só.
Também a Luísa, depois de deixar os meus dois filhos em Vale da Pinta, viajou, de comboio, para Coimbra.
Depois, foram 2 meses de uma semi-recuperação. Isto porque, a pedido do engº Capinha, pedi alta no Hospital de "A Mundial", em Lisboa e segui para Souselas. Nas poucas vezes que ia à obra, em cada passo que dava, só sentia uma espécie de facadas na coluna. É que, além do crânio, também sofri lesões na coluna e nalgumas vértebras. Ao cabo de 6 meses, já estava 100% operacional e capaz de outra.
Por agora, acabaram-se os lamentos. P'ró ano, para quem cá estiver, há mais.
Uma Boa Passagem e um Bom 2016.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Os meus 1ºs de Dezembro - Vale da Pinta
Os 1ºs de Dezembro. Como eu os via.
Em tempos que já lá vão, pelos anos 50 do século passado, já o Gregoriano assinalava o dia 1 de Dezembro. O nosso 1º de Dezembro, em terras de Vale da Pinta, caraterizava-se de modo muito simples, mas muito significativo. Pela madrugada reunia-se a Banda de Música que, de modo célere, percorria as principais ruas da terra. Era em marcha apressada que o fazia, porque, na época, o dia não era feriado, e os músicos (quase todos trabalhadores rurais) tinham o compromisso de iniciar a sua jornada laboral ao nascer do sol. O horário, que alguém estipulara para a faina rural, era de sol-a-sol. Mesmo nos dias em que em que o astro rei não se deixava ver, a duração do tempo de trabalho afinava sempre por esse diapasão.
Ainda hoje a iluminação pública em Vale da Pinta não será famosa, mas, naquela altura, ainda com pouca "rodagem", pouco mais watts debitava que a fidelíssima candeia de azeite, de torcida, que ainda alimentava muitas casas da terra. Ora, atendendo a que esta condição era um óbice para que a Banda tivesse um desempenho aceitável, havia que tentar melhorar as condições e, para tal, melhor remédio não havia do que recorrer a uma meia dúzia de voluntários que, marchando por entre as filas dos músicos, e de Petromax à cabeça, tropeçando aqui e ali, lá iam dando luz àquelas sombrias pautas. Não era que o trecho fosse desconhecido dos intérpretes; muitos deles até sabiam aquilo de cor e salteado, mas com os candeeiros de camisa e petróleo sempre a coisa ficava mais facilitada.
A certa altura da marcha, quando alguém se apercebia que havia por perto uma porta que se abria, e dela saía uma alma caridosa que se propunha doar uns figuitos passados, umas broas de milho e uns cálices de aguardente, passava a palavra ao músico Silvestre Caipira, que, na figura de maestro interino, dava ordem de paragem ao cortejo e, em simultâneo, o início da beberrice. Isto, como está bom de ver, tanto para os músicos como para os acompanhantes. Muitos destes, sabendo que, numa ou noutra casa, havia figos e bagaceira de borla, à descrição, trocavam o "vale de lençóis" pela friagem agreste da madrugada invernosa, só para satisfazerem as suas gulas alcoólicas. Que me lembre, ninguém rejeitava carga. E se, àquela hora da madrugada, estava iminente o ritual diário do "matar o bicho"... de graça, melhor seria.
Mas era assim que, durante algumas décadas, se comemorava o 1º de Dezembro na minha terra.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
O MAR VAI SUBINDO
O MAR ESTÁ A SUBIR para níveis já antes atingidos.
É lamentável o que vou escrever, mas, infelizmente para muitos, a começar pelo extenso rol de amigos que tenho na Outra Banda, é a dura realidade.
Não sou eu que o digo, até porque, para o universo científico, o "fenómeno" está mais que provado.
Há precisamente 42 anos, estava eu na execução da Obra da Marina de Vilamoura, pelas Construções Técnicas, quando, devido a um problema de "levantamentos de fundos" e jatos artesianos, foi solicitada a presença na Obra do nosso geólogo dr. Ricardo Marques, a fim de emitir um parecer técnico sobre o que considerávamos uma grande anomalia. Este técnico, num momento de pausa, a meio da sua intervenção, olhando a Leste para os montes que formam a Serra do Caldeirão, disse-nos: - "Pois é, meus senhores, o mar está no movimento ascendente. Ele (mar), para desespero da humanidade, ainda vai ocupar os níveis de outrora. O processo irá levar muito milénios? Claro que sim. Mas é real. - sem se deter - Há dois meses, participei num estudo, em trabalhos de sondagens na encosta daquela serra; sabem o que de lá saiu, das suas entranhas, ao longo de alguns quilómetros? Foram fósseis! Fósseis, de tudo o que tem a ver com bivalves e outra espécies marinhas."
Na ocasião, nenhum de nós (éramos 5) ficou incrédulo. Até porque era o testemunho de um especialista com créditos firmados, mas hoje, diante de acontecimentos como os da notícia, só nos podemos resignar. Resignar e dar conhecimento às gerações vindouras do que terão que fazer, que é instalarem-se, aos poucos, durante alguns milhares de anos, em zonas de cota altimétrica mais elevada.
É lamentável o que vou escrever, mas, infelizmente para muitos, a começar pelo extenso rol de amigos que tenho na Outra Banda, é a dura realidade.
Não sou eu que o digo, até porque, para o universo científico, o "fenómeno" está mais que provado.
Há precisamente 42 anos, estava eu na execução da Obra da Marina de Vilamoura, pelas Construções Técnicas, quando, devido a um problema de "levantamentos de fundos" e jatos artesianos, foi solicitada a presença na Obra do nosso geólogo dr. Ricardo Marques, a fim de emitir um parecer técnico sobre o que considerávamos uma grande anomalia. Este técnico, num momento de pausa, a meio da sua intervenção, olhando a Leste para os montes que formam a Serra do Caldeirão, disse-nos: - "Pois é, meus senhores, o mar está no movimento ascendente. Ele (mar), para desespero da humanidade, ainda vai ocupar os níveis de outrora. O processo irá levar muito milénios? Claro que sim. Mas é real. - sem se deter - Há dois meses, participei num estudo, em trabalhos de sondagens na encosta daquela serra; sabem o que de lá saiu, das suas entranhas, ao longo de alguns quilómetros? Foram fósseis! Fósseis, de tudo o que tem a ver com bivalves e outra espécies marinhas."
Na ocasião, nenhum de nós (éramos 5) ficou incrédulo. Até porque era o testemunho de um especialista com créditos firmados, mas hoje, diante de acontecimentos como os da notícia, só nos podemos resignar. Resignar e dar conhecimento às gerações vindouras do que terão que fazer, que é instalarem-se, aos poucos, durante alguns milhares de anos, em zonas de cota altimétrica mais elevada.
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